Em si mesmo

Em si mesmo, viver é uma arte
E na arte de viver
É, simultaneamente, o homem:
O artista e o objeto de sua arte
Assim como: o escritor e a palavra.
Ronye Márcio

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sábado, agosto 21, 2010

Trabalho, desenvolvimento e educação

UFC – REDE/MEC
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação Continuada
para o Desenvolvimento das Humanidades

“TRABALHO, DESENVOLVIMENTO E EDUCAÇÃO” OU
“RESPEITAR AS DIVERSIDADES E COMBATER AS DESIGUALDADES”

Ronye Márcio Cruz de Santana1

É imprescindível que a escola proporcione aos alunos o conhecimento e analise de forma crítica a relação intrínseca entre a história da educação e a educação no mundo contemporâneo, pois desde o início do século XIX o mundo vem sofrendo com o domínio do imperialismo, e a nossa sociedade não seria diferente. Já que o nosso país é capitalista, temos que alertar os nossos jovens das manipulações e influências da cultura de massa e da ideologia dos meios de comunicação em prol dos desejos dos dominantes; essa ideologia para a submissão tem que ser extirpada da sociedade, já que todo ser humano é livre, e por lei os direitos humanos são garantidos, se formos ser consciente de nossas ações sócio-políticas, a agir de forma ética conseguiremos criar nossas idéias e não depender dos outros, a esse respeito Rouanet comenta:

Os intelectuais que mais admirávamos diziam que precisávamos substituir idéias importadas, como estávamos substituindo automóveis importados: na melhor das hipóteses, essas idéias tinham de passar por um crivo que um excelente pensador da época chamou de Redução sociológica. (2000: p. 304)

Quando pensamos em educação formalista, adentramos no campo do conceito e da simbologia militarista, em que a educação era implantada de forma simétrica e vertical, e essa ruptura citada por Rouanet como redução sociológica, implica numa educação voltada para o social em que todos nós somos seres pensantes e agentes de um sistema político em que reinasse a cidadania e os direitos humanos; “mas porque uma educação, assim concebida, não podia formar os “recursos humanos” necessários ao nosso processo de desenvolvimento. ”(ROUANET, 2000: P. 305). No âmbito internacional a ideologia dominante vem dos países potencialmente desenvolvidos como a Inglaterra e os Estados Unidos; essa dominação é ocasionada pelo bem de consumo tornando a população consumista, influenciada pela ideologia dos empresários através dos meios de comunicação e de uma educação fragmentada e departamentalizada, desse pressuposto o ideal seria recusar idéias inaptas à nossa realidade socio-aducacional, a abandonar ideologias pré-concebidas dos tecnocratas.

A essa idéia de liberdade da dominação e união das disciplinas Rouanet cita Goethe de forma indireta e acrescenta com comentários pertinentes:

[...] uma vez que devemos tomar muito cuidado na escolha dos nossos ideais de juventude, porque eles vão acabar se realizando. Somos uma geração mimada pela história: conseguimos todo o que queríamos, e o que conseguimos nos faz medo.
Apesar de tudo, podemos ainda reabilitar-nos se pudermos contribuir, pela reflexão ou pela ação, para uma certa correção de rumo. Por exemplo, podemos lutar para que as humanidades venham a assumir o papel que lhes cabe no sistema brasileiro de ensino. (2000: p. 308)


A obra de Rouanet propõe uma ruptura na estrutura da velha escolástica que ultrapassou fronteiras do tempo e do espaço, a ser usada e reusada, modelada e remodelada por diversos estadistas, militares e presidenciáveis. O rompimento com os preceitos científicos citado por Sérgio, não significa no abandono e no descrédito dos mesmos, mas numa nova postura eticossocial, na qual possa se embasar nas teorias científicas para desenvolver as experiências que podem traduzir uma idéia de uso pragmático e diferente das inteligências, visando construir uma forma de viver marcada pelo autoconhecimento e pela sensibilidade para pequenos, mas incomensuráveis, prazeres.

No tocante do desenvolvimento intelectual houve uma tentativa de suprimir ‘a linguagem e o pensamento2’, pois, o homem pensante, sociedade exigente. O ideal é propor estratégias para libertar o homem de seus limites estreitos, fazendo com que a percepção sutil da beleza possa libertar amplamente pessoas comuns explorando a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade, juntamente com as diversas formas de conhecimento, a reforçar esse pensamento Rouanet cita Keats dizendo que “A thing of beauty is a joy forever; Its loveliness increases; it will never Pass into nothingness.” (2000: p. 327)

De uma circunstância, entretanto, é que podemos perceber que a avanço científico e tecnológico, da década de 1970, trouxeram alguns lumes mais esclarecedores para uma sociedade, que foi privada dos ideais de liberdade de expressão e de direitos humanos.

A educação de jovem é determinada por todo esse complexo orgânico [...]. O estudante mergulha na história, adquire uma intuição historicista do mundo e da vida, que se converte numa segunda natureza, quase numa espontaneidade, porque não foi inculcada pedantemente por uma vontade educativa externa. (ROUANET, 2000: p. 310)
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2Sérgio Paulo Rouanet, 2000, na página 312, no primeiro parágrafo.

O ser humano tem que resgatar o seu valor ético, moral e social para que possa agir de forma mais consciente e cidadã. Ele terá que resgatar a cultura popular modificada pela cultura de massa através de suas ideologias permissiva e manipuladora, redemocratizar e qualificar o ensino público, e a maior e a mais importante medida e reestruturar e indústria cultural para humanizar e sociedade e não torná-la submissa a uma elite capitalista. Para o fortalecimento de uma sociedade mais humana, igualitária e cidadã Rouanet diz:
O fortalecimento das humanidades terá de ser acompanhado por uma habilitação mais cuidadosa dos professores, com base numa pedagogia que enfatize o debate, a pesquisa, a reflexão original e que desenvolva a capacidade de usar os conhecimentos adquiridos para compreender melhor a atualidade e para criticá-la. (2000: p. 328)

Com base no ensino das múltiplas habilidades e capacidades que o ser humano pode desenvolver por meio do ensino universal, transdisciplinar, ético, artístico e social, podemos desenvolver no cidadão a consciência ética-polícico-democrática, na qual é indispensável numa sociedade livre e mais humanitária.

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1Professor de Língua Estrangeira Moderna Inglesa desde 1997;
Diplomado em Língua Inglesa pelo Instituto Universal Brasileiro em 1997;
Diplomado em Língua Inglesa pelo Instituto Padre Reus em 1998;
Professor Concursado no Município de Paripiranga em 1999;
Palestrante com tema: A relação entre pais e filhos na E. M. Maria Dias Trindade em 2000;
Diplomado em Língua Estrangeira Moderna Inglesa pelo Hispano-americano em 2005;
Graduando em Letras pela Faculdade AGES desde 2008.2;
Palestrante com o tema: A Sociedade Capitalista e a Representação Feminina na Obra Germinal de Émile Zola na Faculdade AGES em 2008;
Poeta e escritor no portal Webartigos, Texto Livre e Mar de Poesias.


REFERÊNCIA

ROUANET, Sérgio Paulo. As razões do iluminismo. São Paulo: Schwarcz Ltda, 2000. Apostila apresentada pelo UFC – REDE/MEC Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação Continuada para o Desenvolvimento das Humanidades, em 23 de Outubro de 2009.

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