Em si mesmo

Em si mesmo, viver é uma arte
E na arte de viver
É, simultaneamente, o homem:
O artista e o objeto de sua arte
Assim como: o escritor e a palavra.
Ronye Márcio

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sábado, outubro 04, 2014

A didática em questão


 
 
CANDAU, Vera Maria, (org.). A didática em questão. 30 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.

 
 
Ronye Márcio Cruz de Santana[1]

CAPÍTULO I - Papel da didática na formação de professores.

 
OBJETIVOS DA OBRA:

 
1] Promover uma revisão crítica do ensino e da pesquisa em didática;
2] Responder a uma necessidade vivida pelos profissionais da área no momento atual;
3] Oferecer aos profissionais da educação um debate sobre a prática educativa em várias perspectivas didáticas;
4] Estimular a busca de propostas alternativas que visem a ampliação quantitativa e a melhoria qualitativa das oportunidades para a população brasileira.
 
CITAÇÕES:

 
1. Um ponto de partida: a multidimensionalidade do processo de ensino-aprendizagem


O objeto de estudo da didática é o processo de ensino-aprendizagem. Toda proposta didática está impregnada, implícita ou explicitamente, de uma concepção do processo de ensino-aprendizagem.
(...) Que o processo de ensino-aprendizagem, para ser adequadamente compreendido, precisa ser analisado de tal modo que articule consistentemente as dimensões humana, técnica e político-social. (p. 14)


2. Ensinando didática

Desde o início dos anos 60 o desenvolvimento da Tecnologia Educacional e, concretamente, do Ensino Programado, vinha exercendo forte impacto na área da Didática. De uma concepção da tecnologia educacional que enfatiza os meios, conceito centrado no meio e, consequentemente, os recursos tecnológicos, se passava a uma visão da tecnologia educacional como processo. De fato esta concepção partia da conjugação da psicologia behaviorista, da teoria da comunicação e do enfoque sistêmico e se propunha desenvolver uma forma sistemática de planejar o processo de ensino-aprendizagem, baseando-se em conhecimentos científicos e visando a sua produtividade, isto é, o alcance dos objetivos propostos de forma eficiente e eficaz. (p. 19)


 3. De uma didática instrumental a uma didática fundamental


Mas a crítica à visão exclusivamente instrucional da didática não pode se reduzir à sua negação. Competência técnica e competência política não são aspectos contrapostos. A prática pedagógica, exatamente por ser política, exige a competência técnica. As dimensões política, técnica e humana da pedagogia se exigem reciprocamente. Mas esta mútua implicação não se dá automaticamente e espontaneamente. É necessário que seja conscientemente trabalhada. Daí a necessidade de uma didática fundamental. (p. 23)


PARECER:


          As relações de ensino tradicional frente a didática fundamental coadunam no seu contexto, isto é, aonde está sendo aplicado, no entanto diverge na sua utilização, pois cada proposta tem um foco metodológico diferente e uma aplicabilidade diferenciada no contexto socioeducativo.
          O que se deve perceber é que uma metodologia está voltada às normas e regras do movimento militarista, enquanto a fundamentalista permeia a troca de informações e a construção do conhecimento por meio do questionamento, da pesquisa e da solução dos problemas existentes.
 

CITAÇÕES
 

O papel da didática na formação do educador.
 

Cipriano Carlos Luckesi

 “(...) educador é o profissional que se dedica à atividade de intencionalmente, cria condições de desenvolvimento de condutas desejáveis, seja do ponto de vista do indivíduo, seja do ponto de vista do grupamento humano.” (p. 26)
 
 
“Formar o educador (...) deverá ser (...) um modelo de auxiliar o sujeito a adquirir uma atitude crítica frente ao mundo de tal forma que o habilite a agir junto a seres humanos num processo efetivamente educativo.” (p. 29)
 
 
“(...) a didática (...). Deverá ser, sim, um modo crítico de desenvolver uma prática educativa, forjadora de um projeto histórico, que não se fará tão somente pelo educador, conjuntamente, com o educando e outros membros dos diversos setores da sociedade.” (p. 33)
 

PARECER:


          A princípio o que se observa é que Cipriano faz uma crítica aos moldes educacionais, pois a formação do educador está voltada às políticas de uma didática geo-histórica enraizada nos moldes industriais de produção, no entanto o educador tem que primordial o ensino por contextualização e por decisões filosófico-políticas em que a epistemologia dê conta desse processo histórico para que a sociedade se desenvolva. 

 
CITAÇÕES


Pressupostos teóricos da didática
 

Carlos Alberto Gomes dos Santos


“(...) [A ciência da educação] (...) haveria a possibilidade de construir um corpus teórico constituído de hipóteses, de leis, de conceitos e de metodologia própria às investigações pedagógicas, tornando-as assim imunes ao domínio das ideologias.” (p. 38, [Grifo Meu])
 
 
“A Didática é uma tecnologia aplicada que se constitui e que se desenvolve em decorrência dos estudos que ciências, como Psicologia, Biologia e Sociologia entre outras, lhe apresentam sobre os problemas de ensino e aprendizagem.” (p. 41)

 
PARECER
 

          A grande crítica é que Santos nos esclarece é que nenhuma ciência é dona da Didática, no entanto ela se apossa das ciências para construir seu arcabouço e se constituir como campo ideológico, político, geo-histórico, psicológico e social para formar assim um docente mais completo, coerente e condizente com a sociedade atual de acordo com suas necessidades e objetivos.

 
CITAÇÕES


 Pressupostos teóricos para o ensino da didática


Oswaldo Alonso Rays
 

“(...) a prática educativa se processa em suas relações com a sociedade mais geral. Nesse contexto, emerge a consciência da não neutralidade da educação frente à realidade social, econômica, política e cultural.” (p. 43)
 
 
“É pela ação e pela reflexão-crítica-analítica que, conjuntamente, educador e educando atingem o desequilíbrio da certeza pedagógica do fazer didático.” (p. 49)
 

PARECER

 
          O que salienta Rays é que os procedimentos didáticos não é somente o ato de fazer, mas o ato de sempre procurar um resposto para tudo que há, se há problemas é porque há uma solução e a didática deve vir com esse viés de crítica e autocrítica, com pesquisa e elaboração de pressupostos que atendam a demanda do problema que que possa solucioná-los.
 
CITAÇÕES


Abordagens alternativas para o ensino da didática

 

Zaia Brandão


Revendo os livros (...) há uma significativa melhora na organização e sistematização dos conteúdos da didática, houve uma aplicação desses conteúdos em relação à minha fase de estudante: análise sistêmica, formulação de objetivos, avaliação, técnicas de trabalho em grupo, etc. Além disso, uma certa “sofisticação científica” da área é indiscutível. (p. 59)
 
“(...) o professor aprende a ensinar ensinando, ou seja, na prática; é aí que desenvolve a “sua didática”, obedecendo ao seu estilo.” (p. 60-61)

 
PARECER

 
          A crise crescente no mercado editorial e ao mesmo tempo o mundo corporativo dos livros didáticos passaram a divergir na sua essência, enquanto um reproduz receitas para que os professores construam o seu caminho pedagógico elitizado, o outro tento libertar o professor das amarras ideológicas do capitalismo e da alienação política, que só fez professores tornar-se cegos e a caminharem com as muletas ‘o livro didático’ a fazer assim com que os alunos se acomodassem também deixando de enxergar o caminho espinhoso e prazeroso da aprendizagem significativa.

 
CITAÇÕES
 

Ensino por meio de soluções de problemas

 

Margot Bertolucci Ott


No passado, o ensino como solução de problemas foi muito estimulado, principalmente, como uma metodologia para desenvolver criatividade. Então importava a complexidade e a novidade da situação para a realização do trabalho. O conteúdo deveria ser atraente para envolver o aluno na solução. Deformas alguma, era requisito que o problema fosse uma situação real. (p. 67)

“No ensino por meio de solução de problemas, o aluno se defronta com situações reais e concretas e tem muitas alternativas, tanto para compreender o problema, perceber suas implicações como para pensar em alternativas de solução.” (p. 70)


PARECER


          O objetivo central do ensino por problemática é a de que o professor não é o centro do conhecimento, nem aquele que possui todas as respostas, no entanto é aquela que levanta propostas de trabalho baseado na realidade local e com essas informações eles possam construir um projeto, cujas finalidades são melhorá-las ou saná-las e é com embasamento pedagógico que os alunos procurarão respaldo para as soluções dos problemas.
          É somente com o estudo do objeto em questão que os alunos com o apoio dos professores serão traçados um projeto em que constará todas as etapas que permeará aplicação do mesmo.

 
CITAÇÕES

 
Novos enfoques da pesquisa em didática
 

Menga Lüdke

 
A propósito exatamente da evolução vivida pela disciplina da avaliação, a partir do pensamento crítico de autores (...) é que eu gostaria de apresentar minha proposta para pesquisa em didática: que ela se desenvolva também a partir da busca novas metodologias, que melhor correspondam às necessidades de estudo sentidas na área. (p. 87)
 
 
(...) O registro, análise e interpretação do evento, mesmo feitos pelos próprios agentes da experiência, irão permitir melhor compreensão dos fatores possivelmente influentes em seu sucesso ou fracasso. Isso permitirá também a comunicação da experiência, que irá se beneficiar da crítica de outros educadores e servirá por sua vez de estímulo sugestivo de outras tentativas. (p. 91)

 
PARECER

 
          A crítica de Lüdke aos projetos de pesquisa perpassa por uma análise histórica a respeito da pesquisa e como se encontra os níveis de pesquisa hoje, ou como se pensa em pesquisa na atualidade e como elas ajudam no processo de ensinoaprendizagem e a importância que essa metodologia traz a ampliação dos horizontes dos educandos.
          A autora passeia pelo campo das ideias intrínsecas da ideologia do projeto e quais benefícios e contribuições elas trazem ao conhecimento humano e social servindo de estímulo ao processo de pesquisa e questionamento da realidade.

 
CITAÇÕES

 
A pesquisa em didática: Realidade e propostas
 

Newton Cesar Balzan


“Evidentemente, qualquer solução que pretenda se restringir aos problemas educacionais estaria fadada ao fracasso, diante de um quadro ande os aspectos políticos, econômicos e sociais antecedem, permeiam e ao mesmo tempo refletem o aspecto educacional.” (p. 103)
 

Quando se tem presente que a Educação é parte de um contexto mais amplo – social, econômico, político e cultural – quando se vive de fato – o que significa, por exemplo, conhecer e sentir-se atingido pelas precárias condições de vida e de trabalho oferecidos aos trabalhadores em geral – inclusive o magistério – os conteúdos das disciplinas de Licenciaturas ganham nova dimensão. Sem perder sua individualidade, adquirem maior abrangência e profundidade. Em termos concretos, isto implica trabalhar com esses conteúdos, tendo como base as diferentes situações intraescolares – sobre as quais os futuros docentes poderão atuar – conteúdos estes vistos sob a ´tica da problemática social mais ampla, que se constitui como referencial permanente, ou como pano de fundo. (p. 105)
 

PARECER

 
          Toda vez que a pesquisa didática se aliar aos fatores sociais e a partir dela surgir discursão para a melhoria da vida de todos e que surta efeito na qualidade a pesquisa torna-se um alicerce fundamental para construção do meio social, daí da importância da construção dos projetos por meio da realidade existente.
          O que Balzan nos esclarece é que a escola com as suas potencialidades curriculares, pedagógicos e ideológicos possa construir situações que vão embasar a proposta pedagógica da escola e com este estudo a escola devolverá como resposta a solução dos problemas existentes na sociedade em questão.

  

PARECER CRÍTICO

 
          A obra limita-se a esclarecer o ponto fundamental sobre a didática e a relação do ensino voltado para a aprendizagem. É com esta dualidade que os autores esmiúçam e revisitam os conceitos a respeito da importância da educação, a funcionalidade da Didática para a prática dos professores, a formação e a qualificação profissional e a sua atualidade, bem como a ampliação de novas propostas pedagógicas e como elas se apresentam no âmbito escolar.
          Em outras partes os autores limitam-se a explanação da prática educativa e as alternativas que escolas dão para o conhecimento qualitativo em relação aos quantitativos e como se apresentam estas estruturas na grade curricular e pedagógico no país, já que a sociedade passa por uma transformação constante seja tecnológica, seja científica, seja política, seja filosófica e social, contudo como anda as transformações pedagógicas? Como os educadores lidam com as mudanças constantemente na sala de aula? É nessa perspectiva que esta obra coletiva organizada por Vera Maria Candau vem nos dar um lume e um parâmetro para as teorias pedagógicas como aperfeiçoar a prática pedagógica.
           A didática em questão é uma obra fundamental para todo e qualquer profissional da área da educação seja qual for a disciplina ela nos traz um norte a seguir e nos dá um panorama conceitual e procedimental da prática pedagógica, e ainda, vai mais além nos revela pesquisas importantes para construção da prática e do ato de ensinar com significado permeando a eficiência e a eficácia no ensinoaprendizagem.
          O livro como ferramenta de conhecimento serve como uma mola propulsora para alavancar ideias para a formação profissional, é nessa perspectiva que a obra contribuiu e ampliou ainda mais o meu conhecimento a partis do que seja Didática e quais as diretrizes essenciais para a construção de profissão segura e consciente do meu papel enquanto professor. Para os demais, deixo aqui claro que essa bibliografia é fundamental para todo profissional da educação, ou que com ela lida direta, ou indiretamente, precisa conhecer a sua literatura para que desmistifique o pensamento errôneo sobre o que educar e como poder melhor contribuir para uma educação mais eficiente e com uma maior qualidade para a sociedade em que está inserida.




[1] Acadêmico do Curso de Letras, trabalho de Fichamento da disciplina de Didática orientado pelo professor Tárcio.

quarta-feira, julho 09, 2014


 
DISCUSSÃO SOBRE A DECLARAÇÃO DE SALAMANCA
FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS – AGES
LIBRAS E EDUCAÇÃO INCLUSIVA
 

 
 
Ronye Márcio Cruz de Santana[1]

 

De acordo com a Declaração de Salamanca o seu documento introdutório define e objetiva os princípios dos Direitos Universais do Homem referente ao processo de igualdade a todos sem distinção de nada, a reforçar o princípio de inclusão para que a sociedade adapte-se às necessidades especiais que cada indivíduo possui, a garantir seus direitos como cidadão e tornando-o apto e competente ao meio social e profissional.
Para que haja um enquadramento de ações é necessário que as minorias tenham conhecimento dos seus direitos fundamentais e essenciais garantidos perante a lei e para isso a participação de todos é fundamental para que todos tenham acessibilidade aos direitos é de fundamental importância que haja apoio suplementar das instituições públicas, privadas e do terceiro setor, bem como toda a sociedade, em geral, tem que ficar atenta as iniciativas de cada seguimento para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Quando se pensa em instituição pública, referente à inclusão, intui-se de imediato na escola que é o ambiente, onde acontece o processo de educação formal, e é nesse local que se aplica o currículo, no entanto esse tem que ser adaptado às pessoas com necessidades para que aconteça o princípio de ensino e aprendizagem, entretanto o governo tem que investir em programas de formação para professores para que possam trabalhar seguramente e desenvolver propostas de trabalho que garantam o acesso à educação gratuito e igualitário a todos.
Para reforçar o trabalho educativo os planos de ação são de suma importância para os professores, já que eles permitem que os educadores projetem passos a partir do planejamento educativo a permitir que eles tenham uma visão ampla do currículo que está sendo empregado e quais metas estão sendo atingidas a fortalecer o processo de igualdade e de acesso à educação e a convivência social.
Com isso, a inclusão perpassa por duas barreiras – a primeira que é a integração da pessoa com necessidades especiais que tem que se enquadrar à realidade que o cerca e, ao mesmo tempo, às demandas do mercado de trabalho. Já a segunda é a questão da linguagem no processo de comunicação, pois todas as pessoas têm como foco principal da linguagem a fala e em segundo lugar a imagem, no entanto, para o mercado de trabalho o argumento é essencial para a garantia de sucesso nesse ambiente colocando as pessoas com necessidades especiais em atividades mais braçal e com pouca exigência mental dependendo da necessidade que tenha, para isso é fundamental que os professores desenvolvam as potencialidade de cada um para que haja uma integração à realidade mais digna e coesa a quem realmente precisa.
De acordo com a legislação todos têm direitos e com isso possam se desenvolver e tornar-se um cidadão crítico e autônomo. É pensando nessa vertente que o governo promove programas de financiamento para que todos tenham conhecimento da área e acessibilidade aos meios sociais e profissionais do país.
Para isso, o governo desenvolve políticas educacionais a partir de uma política governamental que foi discutida e debatida para gerar um documento e a partir dele gerar um projeto de lei ou uma lei que vai regimentar as necessidades da população, sendo assim o passo seguinte é buscar financiamentos para conseguir implantar a lei ou o projeto de lei. E para que a sociedade goze dos benefícios dos seus direitos é de suma importância que o governo pense no processo de estruturação e de fiscalização para que a lei saia do papel e passe a ser um direito garantido por lei.


[1] Acadêmico do curso de Letras.

SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. 3 ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2003. 





RESENÇÃO

Tomaz Tadeu da Silva é professor do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pertence ao Conselho Editorial das revistas Curriculum Studies; Journal of Education Policy; Discourse e Heuresis. É autor de diversos livros.

 

RESUMO

A obra aborda não só a concepção das teorias do currículo como a define como um princípio social, cultural e individual. É nesse contexto que o autor subdivide em quatro capítulos, em que o primeiro é a introdução que explana o objetivo e a finalidade que o autor quer defender na obra, sendo que a segunda permeia os conceitos da teoria tradicional frente as teorias críticas: é nesse ponto que surge o conceito de ideologia, reprodução, resistência, reconceptualistas, neomarxista, política cultural, construção social, reprodução cultural e currículo oculto. Já no terceiro capítulo Tomaz Tadeu descreve as teorias pós-críticas que defendem e relação de que todo ser humano é completo e complexo socialmente e incompleto e introspectivo ou extrovertido individualmente, sendo simples ou complexo no seu ser, bem como nas suas relações: é nesse ponto que surge as nomenclaturas de identidade, currículo multiculturalista, relações de gênero, narrativa étnica e racial, os estudos culturais e uma pedagogia pós-crítica. E no último capítulo ele aborda e confronta as teorias críticas com a pós-críticas do currículo comparando com questões de saber, no tocante ao conhecimento, de poder, em relação ao princípio político e econômico e na identidade, referente ao ser como um todo.
 

CITAÇÕES:

(...) as diferentes teorias podem recorrer a discussões sobre a natureza humana, sobre a natureza da aprendizagem ou sobre a natureza do conhecimento, da cultura e da sociedade. (p. 14b)
(...) as teorias do currículo estão envolvidas, explicita ou implicitamente, em desenvolver critérios de seleção que justifiquem a resposta que darão àquela questão. (p. 15a)
(...) As teorias do currículo estão ativamente envolvidas na atividade de garantir o consenso, de obter hegemonia. As teorias do currículo estão situadas num campo epistemológico social. As teorias do currículo estão no centro de um território contestado. (p. 16a)

PARECER

O que deixa bem claro no sentido do currículo é que ele faz parte da nossa vida seja social, seja na constituição de própria identidade, e esse currículo permeia as instituições sociais como as empresas e bem como as ideologias utilizadas por elas para construir a partir da escola um currículo modelo que dogmatize o ensino e aprendizagem por meio da metodologia a utilizar a didática como forma de planejamento para que tenha seu objetivo cumprido a partir da ideologia capitalista.
Para manter a hegemonia do capitalismo o governo desenvolve métodos de mecanização do ensino formal para adestras, manipular e manter as relações de poder nas mãos das empresas e do mercado.
 

CITAÇÕES:

(...) a cultura não depende da economia: a cultura funciona como uma economia, como demonstra, por exemplo, a utilização do conceito de “capital cultural”. (p. 33a-34b)
(...) a crítica de inspiração marxista, desnaturaliza o mundo “natural” da pedagogia e do currículo significa submetê-lo a uma análise científica, centrada em conceitos que rompem com as suas categorias de senso comum cm as quais, ordinariamente, vemos e compreendemos aquele mundo. (p. 38b)
(...) A capacidade intelectual dos alunos tal como avaliada pelos professores acaba sendo determinada pela tipificação que os professores fazem deles. Essa tipificação é determinada, em grande parte, pela classe social dos alunos. (p. 69a)
(...) O tipo de código determina, por sua vez, a consciência da pessoa, o que ela pensa e, portanto, os significados que ela realiza ou produz na interação social. (p. 74b)
O currículo oculto é construído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que, sem fazer parte do currículo oficial, explícito, contribuem, de forma implícita, para aprendizagens sociais relevantes. (p. 78b)

PARECER

No mundo capitalista as empresas utilizam o currículo oculto para fundamentar as atitudes, os comportamentos e as leis para gerar valores dogmatizados para desenvolver a capacidade intelectual, porém submisso às vontades do capitalismo e as suas vontades.
Para isso a crítica marxista vem desmistificando a noção de submissão para a luta de classe, para a conscientização e emancipação e libertação do indivíduo pelo conhecimento e troca por capital cultural socialmente construído para todos e por todos.
 


CITAÇÃO

Essa visão liberal ou humanista de multiculturalismo é questionada por perspectivas que se poderia caracterizar como mais políticas ou críticas. Nestas perspectivas, as diferenças culturais não podem ser concebidas separadamente de relações de poder. (p. 86b)
O currículo oficial valoriza a separação entre sujeito e conhecimento, o domínio e o controle, a racionalidade e a lógica, a ciência e a técnica, o individualismo e a competição. (p. 94b)
A atitude racista é o resultado de uma complexa dinâmica da subjetividade que inclui contradições, medos, ansiedades, resistências, cisões. (p. 103a)

PARECER

Nas teorias pós-críticas o que podemos salientar é que a construção do homem é feita pelo viés da cultura como representação de gênero, raça, etnia, sexualidade e multiculturalismo reforçando o conceito de identidade e de respeito pelas diferenças em que sua subjetividade dá conta da alteridade e da relação do conhecimento e do poder, pois é construído pela noção de significado e discurso.
O contexto social é mais amplo a abrangente quando se refere a construção do meio social e da individualidade a partir dos conceitos de ética, moral e conduta socialmente aceito por todos.

 
PARECER CRÍTICO

 A obra como um todo desperta a curiosidade e a relação de poder e de construção social a partir de políticas públicas, de construção de conhecimento social e individual, cujo currículo é a base política de manipulação e adestramento social.
Ao ler a obra dá para perceber que ela de fundamental importância para o aluno dos cursos de licenciaturas, pois constroem no cognitivo do aluno a noção de currículo implícito e explícito na sociedade.
Referente a minha profissão a obra indica caminhos teóricos e curriculares para a construção de uma proposta socialmente aceita e defendida perla união.
Socialmente, Documentos de Identidade traz à tona o conceito de relação social e o respeito mútuo a todas as pessoas e entidade que constroem a identidade de cada um.
 
 
 

SASSAKI, Romeu Kazumi. Os desafios da inclusão na educação. In: __________. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 8º ed. Rio de Janeiro: WVA, 1997.
 
 
 
Ronye Márcio Cruz de Santana[1]
 
 
 
RECENSÃO
 
Romeu Sassaki é assistente social e consultor sua experiência profissional foi construída no Brasil e no exterior. Entre as organizações onde ele atuou podemos destacar Secretarias Estaduais de Educação, Banco Mundial, Escola de Gente – Comunicação em inclusão, Associação Carpe Diem, Sociedade Pestalozzi de São Paulo, Apaes, Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, Comitê Brasileiro de Tecnologia Assistiva, Federação das Indústrias em vários estados e Instituto Muito Especial.
 
INTRODUÇÃO
 
          O presente trabalho tem por finalidade fazer um estudo a partir dos desafios que a educação enfrenta ao lidar com alunos com deficiência, esse é o ponto chave da discussão do capítulo 5 do livro de Romeu Sassaki, cujo tema é Os desafios da inclusão na educação em que se norteiam discussões como Fases de desenvolvimento da educação, cuja temática é voltada para o princípio de atenção social em que as pessoas, as instituições o governo dão aos deficientes; como O Programa de Educação Inclusiva de Goiás, cuja fonte de inspiração foi as experiências publicadas como, por exemplo, Stainback & Stainback, 1999 e Salend de 1990. O projeto constava sensibilização, implantação, expansão e consolidação, com isso pode se dizer que aspectos fundamentais foram essências para a construção de uma sociedade mais aberta aos problemas do deficiente procurando acertar mais no processo educativo através das múltiplas inteligências. E na parte final A temática As sementes do conceito de educação inclusiva, cujo fato primordial é o ideal da igualdade de oportunidade em todos os setores da sociedade.
 
CITAÇÕES
 
A sociedade simplesmente ignorava, rejeitava, perseguia e explorava estas pessoas (...) (p. 126).
 
 
Excluídas da sociedade e da família, pessoas com deficiência eram geralmente atendidas em instituições por motivos religiosos ou filantrópicos e tenham pouco ou nenhum controle sobre a qualidade da atenção recebida. (p. 126)
 
 
Para que as pessoas com deficiência realmente pudessem ter participação plena e igualdade de oportunidades, seria necessário que não se pensasse tanto em adaptar as pessoas à sociedade e sim em adaptar a sociedade às pessoas (...). Isto deu surgimento do conceito de inclusão (...). (p. 127)
 
 
(...) a inclusão “questiona não somente as políticas e a organização da educação especial e regular, mas também o conceito de mainstreaming[2]”. (SASSAKI apud MANTOAN, p. 128). 
 
 
As escolas inclusivas propõem um modo de se construir o sistema educacional que considera as necessidades de todos os alunos e que é estruturado em virtude dessa necessidade. A inclusão causa uma mudança de perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente os alunos que apresentam dificuldades na escola, mas apoia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente educativa. (SASSAKI apud MANTOAN, p. 128).
 
 
(...) buscar o potencial nas identidades individuais significa descobrir talentos em todas as pessoas individualmente, partindo-se do pressuposto de que ninguém é tão severamente prejudicado que não possua uma habilidade. Se a mais prejudicada das pessoas possui uma habilidade, então todas as pessoas podem aprender; mas cada uma de uma maneira diferente das outras. (p. 134)
 
 
É, portanto, imprescindível valorizarmos a nossa crença de que “Todos poderão aprender se escolhermos os diferentes estilos de aprendizagem e as inteligências múltiplas de cada aluno”. Os estilos de aprendizagem são o modo como cada um de nós aprende melhor e as inteligências múltiplas constituem as habilidades que podemos utilizar para aprender qualquer coisa e realizar nossos objetivos. (p. 134)
 
 
Educação de qualidade é aquela que atende às necessidades de cada aluno, respeita o estilo de aprendizagem de cada aluno, propicia condições para o atingimento de objetivos individuais e utiliza as 12 inteligências de cada aluno. (p. 135)
 
 
(...) ao aplicarmos a teoria das inteligências múltiplas, abrimos uma ampla gama de situações relevantes e significativas para a vida do aluno, das quais extraímos os dados de avaliação da aprendizagem. Como princípio, nunca comparamos os alunos entre si, sempre os comparamos com os respectivos desempenhos anteriores de cada um. (p. 136)
 
 
Todos os integrantes da comunidade escolar devem ser informados e capacitados a respeito da teoria das inteligências múltiplas a fim de que a aplicação desta teoria se torna uma prática comum em toda a escola. (p. 136) 
 
 
O ideal de igualdade de oportunidades em todos os setores, incluindo a educação, oficialmente documentado pela ONU em 1981, foi novamente consagrado em 1983 no Programa Mundial de Ações Relativas às Pessoas com Deficiência. (p. 137) 
 
PARECER CRÍTICO                
 

          Para se construir uma sociedade coesa toda ela deve estar irmanada e, como tal pressupõe que as famílias e as instituições estejam adaptadas a toda e qualquer pessoa a garantir acessibilidade e possibilidades de desenvolvimentos pessoal, para isso um fator preponderante para a política de inclusão social, profissional e pessoal tem como base a educação, pois é nela que se garante o princípio idôneo do desenvolvimento das habilidades e capacidades.
          Com isso, intui-se que todo o sistema educacional deveria estar apto a desenvolver e a preparar o cidadão a partir das competências e habilidades para que o aluno aja socialmente como um ser crítico e competente dentro e fora do ambiente sócio-profissional.
           O que deve ser analisado é que a escola tem que planejar políticas que garantam o ensino e aprendizagem e, para isso o sistema educacional deve se reestruturar como um todo para que possa garantir a acessibilidade a todos os cidadãos. Como base nessa ideia o sistema educacional precisa reunir toda a sociedade – comunidade, empresas, centros religiosos, família e a comunidade escolar para organizar as políticas educacionais, melhorá-las e desenvolver processos de inclusão a todos, para que isso aconteça a avaliação é um processo fundamental para a tomada de decisões para construir uma educação de qualidade.
          Para que aja ensino e aprendizagem as escolas têm que se adaptar às necessidades de cada aluno, cujo ensino tem que ser de forma integral e abranger as inteligências múltiplas mas para isso ocorrer as escolas têm que adaptar seu currículo e seu processo metodológico às potencialidades de cada aluno, cuja finalidade do processo avaliativo é desenvolver as habilidades e fazer comparativo com o seu último desempenho e saber se foi atingindo ou melhorado, sendo assim as instituições, de modo geral, efetivam e balizam o direito a igualdade e a oportunidade de inclusão e ascensão social.
          A obra é importante para todo aquele que se interessa pelo tema e queira crescer, pois traz uma explicação clara e convincente a partir do assunto inclusão. O autor nos traz uma vasta gama de informação sobre lutas e conquistas. No tocante as leis houve movimentos que Sassaki reportou a história para que o leitor se situasse e compreendesse toda a luta e sofrimento que as pessoas enjeitadas, de uma forma ou de outra, sofriam na sociedade.
          Esta obra possui um teor relevante para todo profissional que queira construir uma sociedade mais justa e igualitária a beneficiar àqueles que procuram conhecer, estudar e aprofundar seus conhecimentos na área da inclusão. No contexto social e empresarial a obra traz relevantes contribuições para que todos os profissionais e cidadãos reflitam, construam e efetivam projetos inclusivos e integradores a todas as pessoas que possuam uma habilidade especial e garantam, não só o ideal de igualdade, mas também a igualdade de oportunidade a todos sem distinção.


MAPA CONCEITUAL



 
 




[1] Acadêmico do Curso de Letras. Fichamento da obra Inclusão: construindo uma sociedade para todos de Romeu Sassaki na Disciplina de Libras e Educação Inclusiva com a orientação da Prof. Josefa Risomar Rosário Santa Rosa para inclusão das atividades de Portfólio como nota parcial da disciplina.
 
[2] “O mainstreaming de género consiste na (re) organização, melhoria, desenvolvimento e avaliação dos processos de tomada de decisão, por forma a que a perspectiva da igualdade de género seja incorporada em todas as políticas, a todos os níveis e em todas as fases, pelos actores geralmente implicados na decisão política. ”
(Definição do Conselho da Europa)
Disponível em: http://www.igualdade.gov.pt/INDEX_PHP/PT/MAINSTREAMING_DE_GENERO.HTM. Acessado em 31 de maio de 2014 às 15h 41min.
 

ATIVIDADE PROPOSTA DO CAPÍTULO 3:
 
Salto para o Futuro: Educação Especial: tendências atuais / Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação, SEED, 1999. (Série de Estudos. Educação a Distância, v.9) 
 

 
 
Ronye Márcio Cruz de Santana[1]


Você concorda que as propostas inclusivas / integradoras não se limitam aos portadores de deficiência? Justifique sua resposta.[2]


O ser humano é dotado de todas as potencialidades possíveis e, como tal, o inverso também ocorre – as limitações são fatores preponderantes a qualquer indivíduo, pois as pessoas podem ter uma habilidade específica e várias fragilidades ou limitações, por isso é que cada um deve buscar apoio de especialistas para que possa sanar suas dificuldades ou limitações.
Quando você reporta ao princípio de integração/inclusão podemos pensar naquelas pessoas que possuem dificuldades de aprender, não conseguem interagir com grupos ou se relacionar, àquelas que possuem fobias e, por isso deixam de participar de algumas atividades ou tarefas que possa desenvolver habilidades ou competências, ou ainda àquelas que não se adequam ao trabalho ou uma atividade específica, pois não possui pré-requisitos das competências exigidas para o exercício da função.
Por isso é que Mantoan em seu artigo intitulado Integração X inclusão: escola (de qualidade) para todos ela diz que “é preciso respeitar os educandos em sua individualidade”, pois cada indivíduo possui sua limitação e que cada um deve ser tratado com o respeito que merece e trabalhar com sua potencialidade para superar suas fraquezas.
O ponto primordial da construção de habilidades e competências vem da superação e quando falamos de superar pressupomos em seres humanos dotados de raciocínio que o utiliza para romper barreiras e conseguir chegar a atingir seus objetivos.
Diante do exposto venho reiterar e concordar que uma educação inclusiva / integradora não se refere somente a uma pessoa com deficiência, mas a todas àquelas que possuem uma limitação, uma dificuldade ou uma barreira para conseguir chegar ao seu objetivo ou a sua finalidade de conseguir algo na vida, no trabalho, na educação ou no seu meio social.
 


[1] Acadêmico do curso de Letras. Atividade proposta pela prof.ª Josefa Risomar Santa Rosa do Rosário na Disciplina de Educação Inclusiva.
[2] Pergunta retirada do texto Integração e inclusão: do que estamos falando? De Risita Edler Carvalho.