Em si mesmo

Em si mesmo, viver é uma arte
E na arte de viver
É, simultaneamente, o homem:
O artista e o objeto de sua arte
Assim como: o escritor e a palavra.
Ronye Márcio

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terça-feira, março 18, 2014


DISCURSO SOBRE A MULHER

Foto: Flávia - Ronye discursando.
 
 

Ronye Márcio Cruz de Santana
8 de março de 2014 

 
O que é mulher?
Pergunta tão complexa de responder que nem toda a literatura conseguirá responder.

Socialmente ...

É aquela que é forte nas ações e frágil na sedução
E por ser frágil conquista,
Seduz,
Induz,
Manda,
Comanda o homem como marionete.

Psicologicamente ...

É ardilosa,
Manhosa,
Perigosa,
Fogosa,
Ardente,
Inteligente,
Sonhadora que vai da Branca de Neve à Rainha má.

Fisiologicamente ...

É bonita,
É bem quista,
Conquista,
Encanta,
É poderosa no salto,
E sem salto.
Oh, meu Deus, que salto!
 
Mulher, simplesmente!
Formosa,
Dengosa,
Carinhosa,
Amorosa,
É ela, mulher,
Simplesmente mulher!

Sentimentalmente ...

Sensível,
Vulnerável,
Intocável é toda mulher irritada
E quando se ira é destruidora,
Guerreira,
Valente,
 
Ardente que vai do seu auge à doçura
É branda sem ser fraca,
É meiga sem ser piegas,
É forte sem ser masculinizada,
É feminina sem ser esdrúxula,

É mulher sem ser comparável.

Única ou múltipla,
Simples ou complexa.
A mulher é uma dádiva de Deus
Que ser nenhum ... no mundo ... a substitui,
Pois é sublime,
Suprema,
Única.
Mulher,
Simplesmente mulher!
 
__________
 
A proposta foi produzir algo que demonstrasse a mulher pelo seu olhar e cada aluno produziu o seguinte:
 
Foto: Ronye Márcio
 
Foto: Ronye Márcio
 
Foto: Ronye Márcio Desenho: Eduardo
A MULHER É:
 
Prefeita,
Uma flor,
Amorosa,
Maravilhosa,
Mãe,
Forte,
Sensível,
Esposa,
Carinhosa,
Poderosa,
Linda,
Menina,
Cuidadosa.
 
Foto: Ronye Márcio Desenho: Daniel
 
Foto: Ronye Márcio Desenho: José Raimundo
 
Foto: Ronye Márcio Desenho: Elaine
 
Dia 08 de março
se comemora o dia
Internacional da mulher
 
A mulher é linda
A mulher é maravilhosa
A mulher é meiga
A mulher é carinhosa
 
O dia internacional da mulher significa para mim momentos que marcaram os direitos e o respeito, nesse momento que deram uma data que seria único para representar a mulher, daí deram o mês de março dia 08, Dia da mulher.
 
Foto: Ronye Márcio
 
Foto: Ronye Márcio
 
Foto: Ronye Márcio Desenho: Franciele
 
A mulher é tudo na vida
A mulher é uma flor
Que tem que ser sempre cuidada.
 
_ Brinca com os seus filhos.
_ Lava roupa.
_ Faz compras.
_ Arruma os filhos.
_ Trabalha.
_ Cuida dos filhos.
_ A mulher arruma a casa.
_ Faz a comida.
 
_ Trabalhando ...
 
8 de março dia das mulheres.
 
Foto: Ronye Márcio Desenho: Janaina
 
Mulher:
_ Passa;
_ Lava;
_ Cozinha;
_ Cuida;
_ Dá atenção;
_ Educa.
 
Foto: Ronye Márcio
 
A mulher é:
A mulher é vida.
A mulher é como uma flor.
 
Foto: Ronye Márcio Desenho: Marcos
 
Foto: Ronye Márcio Desenho: Maria Aparecida
 
Mulheres em toda parte.
 
A beleza é infinita
e bela,
Toda mulher tem
mais não tem a capacidade de demonstrar
Para o mundo ver
o que alguns homens não percebem
e passam algum tempo para perceber
e quando vão perceber
é tarde de mais.
 
8 de março
 
 
Foto: Ronye Márcio Poesia de Thatiane 
 
MULHER
 
Mulher ...
 
Pessoas especiais
Sem palavras pra descrever
Habilidosa, cuidadosa.
 
Mulher ...
 
Simplesmente tudo.
Aquela que cuida, protege ... atenciosa!!!
 
Desenvolve várias tarefas ao mesmo tempo.
Lava, passa, cozinha e etc,
mas nunca perde a doçura.
 
Ela somente é
aquela pessoa doce,
inteligente
e cheia de surpresa.
 
FELIZ DIA DAS MULHERES.!!!
 
Foto: Ronye Márcio Desenho: Maria José

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

O planejamento educacional ideal

O planejamento educacional ideal

Ronye Márcio Cruz de Santana

O planejamento educacional ideal perpassa por dois princípios que são o planejamento anual e o planejamento das aulas, pois ambos precisam de no mínimo de três eixos norteadores para a sua aplicabilidade seja eficaz e que permeiam a elaboração, a execução e a avaliação.

Quando há possibilidade de troca de conhecimento e de experiência entre os gestores, coordenadores, professores e funcionários de apóio conjuntamente com a comunidade a possibilidade de o projeto funcionar é muito maior, pois a participação de cada componente é fundamental para o sucesso socioeducacional dos alunos.


É considerado ideal o planejamento que envolve as pessoas como sujeitos a partir de sua elaboração, e com a presença constante na sua execução e avaliação, não apenas como indivíduos, mas sujeitos de um processo que os envolve como grupo, visando o desenvolvimento individual e comunitário. (DALMÁS, 2001, p. 27).


Como o próprio autor afirma que a idealização de um projeto participativo só ocorre quando há presença de todos os envolvidos que fazem parte da vida cotidiana do aluno e quando isso ocorre existe um progresso não só individual, mas também de todo a comunidade em que esse aluno está inserido.

A troca de conhecimento é fundamental e essencial para que a comunidade escolar possa desenvolver o Projeto Político Pedagógico da escola, e não só o PPP, mas também projetos que possam desenvolver a comunidade, ou solucionar problemas de ordem política, familiar e/ou comunitária. E essa participação dialogada reforça os laços de cumplicidade entre a instituição e a sociedade local. Para isso podemos observar que Dalmás nos diz que:


O diálogo-comunicação é elemento essencial no processo de intercâmbio de vivências, experiências, interações, diálogos entre os participantes.
Visa-se um planejamento centrado na pessoa, livre e crítica, sujeito de seu desenvolvimento, mas com decisões comunitárias; um processo grupal e participativo que considere as pessoas, com seus valores, sentimentos e situações de ordem sócio-econômico-político-cultural. (2001, p. 27).


Esses elementos permeiam a metodologia do planejamento, pois o princípio é o diálogo entre as partes para ganhar a credibilidade de todos fazendo que fortifique a proposta do projeto em elaboração é nessa vertente que as linhas de ações pensadas são: “planejar PARA a comunidade [..], planejar COM a comunidade [...] [e finalmente é] o planejamento da comunidade” (DALMÁS, 2001, p. 26), e com isso se fortifica e torna ainda mais intensa o planejamento participativo.

As condições para a realização do planejamento participativo dependerá de alguns pressupostos que guiará o grupo para uma eficácia e sucesso na implementação do projeto em que devemos entender que a educação é um ato político de visão crítica a gerar um clima favorável no ambiente escola, pois tem que haver uma integração do grupo e para isso a socialização do poder descentraliza a opressão e sendo assim potencializa a motivação para o planejamento participativo.

Também se sabe que o conhecimento teórico é relevante para a produção deste e com a ampliação do conhecimento dos envolvidos as pessoas participarão melhor e tornar-se-ão responsáveis por tudo e por todos, com isso os riscos do fracasso do projeto são menores e quando a direção da instituição escolar dá o seu aval toda à infra-estrutura se materializa e os recursos tornam-se disponíveis para a sua execução. Como se pode perceber todo planejamento participativo requer um compromisso de todos os componentes que fazem parte da vida do aluno.

A proposta de trabalho tem que ser vinculada a Proposta Curricular da escola e com o Plano-Ação a equipe coordenadora imbuirá desejo e atitudes para que as pessoas tenham fé no seu trabalho a gerar assim um respeito ao estágio de consciência do grupo anulando todo ou qualquer princípio de conflito entre as partes e esse envolvimento participativo torna-se eficaz pela sua metodologia participativa que orienta não só os professores, mas todos que estão envolvidos.

E para isto a clareza do projeto e do grupo quanto à proposta tem que ser aceita e vivenciada, pois a sua elaboração ocorre por etapas e a construção leva resultados positivos para o grupo e estes resultados satisfatórios só podem ocorrer quando o grupo trabalha unido, com isso subtende-se que o planejamento participativo é uma construção de uma equipe que vivencia a sua realidade, “como desafio, pelos participantes do processo participativo, este terá sólidas condições para concretizar-se na instituição de educação formal que por ele se decidir.” (DALMÁS, 2001, p. 103).


REFERÊNCIA

DALMÁS, Angelo. Planejamento participativo na escola: elaboração, acompanhamento e avaliação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.

segunda-feira, outubro 29, 2012

Uma lágrima de dor, de cor, aonde for.


Enquanto se é pré-adolescente a gente acredita que o mundo é puro e que a malícia só é vista em filmes e telenovelas. Ingênuo, que o amor surge de infância e que perdurará para sempre e que ele suprirá todas as necessidades e dificuldades que a vida nos põe em cheque. E verdadeiro, que todos apesar dos erros cometidos as pessoas se manterão fiéis aos princípios, à moral e a ética, mas é com as primeiras decepções que os adolescentes percebem a falácia que a sociedade vive e que as pessoas de índoles duvidosas endossam em benefício próprios quer pessoais, quer profissionais, que por pura maldade.

O livro é um desabafo de um adolescente que viveu a desilusão de amores de infância, a agonia do desejo ardente que permeia à mente desse jovem ingênuo, as contrariedades que vive, as traições dos amigos e dos amores de infância e, por fim a revolta de sentir o desprezo e o menosprezo dessas pessoas aproveitadoras e parasitas.

A maioria dos temas dos poemas gira em torno da dor, da desilusão e do desejo. E esses arroubos juvenis desaparecem com a maturidade e o despertar da consciência social e pessoal tendo um amadurecimento emocional e um equilíbrio psicológico para enfrentar as amarguras da vida, mesmo que dura e fria, guarda em sua essência a beleza do amor, do carinho e a união familiar.

O Autor

Esta é uma obra que começa a ser lançada agora em novembro e se encontrará a disposição do público em geral em breve, pois as primeiras tiragens já se esgotaram e estou pedindo mais cópias, pois o livro foi vendido por reserva.

A quem possa se interessar e queira comprar faça o pedido de reserva pelo email ronyemarcio@hotmail.com, assim que eu receber as encomendas da Editora começarei a fazer o envio do Livro.

Obs.: O valor vai depender do valor do envio, pois ficará assim: Valor de livro + postagem. Qualquer dúvida consulte-me via email, assim que souber dos tributos do correio eu retornarie o email respondendo.

Atenciosamente,

Ronye Márcio Cruz de Santana

segunda-feira, outubro 15, 2012

Vendo vozes: uma viagem ao mundo dos surdos (Resenha)

SACKS, Oliver. MOTTA, Laura Teixeira (Trad.). Vendo vozes: uma viagem ao mundo dos surdos. São Paulo: Companhia das Letras. 2010.


Recensão

O médico e escritor inglês Oliver Sacks nasceu em 1933, em Londres. Formou-se como médico em Oxford e no início da década de 60. Em São Francisco frequentou neurologia na Universidade da Califórnia em Los Angeles. Em 1965 foi para Nova Iorque, onde se tornou professor de neurologia na Escola de Medicina Albert Einstein, professor assistente de neurologia na Escola de Medicina da Universidade de Nova Iorque. Tratava-se do relato de histórias da luta de doentes com a esquizofrenia, a doença de Parkinson, a doença de Alzheimer, síndrome de Tourett, autismo, etc. Oliver Sacks é membro honorário da Academia Americana de Artes e Letras, da Academia Americana de Artes e Ciências e da Academia das Ciências de Nova Iorque.

Capítulo 1

O termo “surdo” é vago, ou melhor, é tão abrangente que nos impede de levar em conta os graus de surdez imensamente variados, graus que têm uma importância e mesmo “existêncial”. (p. 17)

Não é apenas o grau de surdez que importa, mas principalmente a idade, ou estágio em que ela ocorre. (p. 17)

A situação das pessoas com surdez pré-linguística antes de 1750 era de fato uma calamidade: incapazes de desenvolver a fala, e portanto “mudos”, incapazes de comunicar-se livremente até mesmo com seus pais e familiares, restritos a alguns sinais e gestos rudimentares, isolados, exceto nas grandes cidades, até mesmo da comunidade de pessoas com o mesmo problema, privados de alfabetização e instrução, de todo o conhecimento do mundo, forçados a fazer os trabalhos mais desprezíveis, vivendo sozinhos, muitas vezes à beira da miséria, considerados pela lei e pela sociedade como pouco mais do que imbecis – a sorte dos surdos era evidentimente medonha. (p. 24)

A língua deve ser introduzida e adquirida o mais cedo possível, senão seu desenvolvimento pode ser permanentemente retardado e prejudicado, com todos os problemas ligados à capacidade de “propisicionar” mencionados por Hughlings-Jackson. No caso dos profundamente surdos, isso só deve ser diagnosticada o mais cedo possível. As crianças surdas precisam ser postas em contato primeiro com pessoas fluentes na língua de sinais, sejam seu pais, professores ou outros. (p. 38)

É evidente que, se uma pessoa aprendeu a língua de sinais como primeira língua, seu cérebro/mente a fixará, e a usará, pelo resto da vida, ainda que a audição e a fala sejam plenamente disponíveis e perfeitas. A língua de sinais, convenci-me então, era uma língua fundamental do cérebro. (p. 40)

Consideração do capítulo 1.

          Ser surdo ou estar surdo é uma propensão totalmente distinta uma da outra e ao mesmo tempo ampla no seu sentido, pois devemos considerar que surdez tem níveis ou grau de surdez, e, ainda, a possibilidade de estar surdo no sentido de momentaneamente, por algum fato que ocorreu, seja por barulho, ou por indisposição física.

          Quando se pensa na história podemos perceber que em cada momento houve a sua discussão e embate frente aos critérios éticos e sociais de cada época, e que a política internacional passou a estudar e trabalhar pelos direitos do cidadão para a igualdade social, mas enfrenta o problema da cultura e da rejeição social.

          No tocante a língua pode-se observar que o fator da comunicação é imprescindível para o processo de relacionamento e de construção psicossocial do indivíduo surdo, fato esse que é corrigido pelo bilinguismo e pela Comunicação Total são estratégias que fortalece e revigora a relação sujeito – sociedade – família. Essa tríade fortalece a aliança entre o mundo interno e externo do deficiente surdo.

          Diante disso, podemos perceber que a língua de sinais não só fortalece, mas cria uma possibilidade de interação com o universo desconhecido do surdo por meio da língua de sinais tornando-o agente ativo da sociedade e produtivo no setor profissional, tirando-o da marginalidade e das atividades desprezíveis ao ser humano.

Capítulo 2

Anteriormente privado de oportunidades – pois ele nunca fora exposto à língua de sinais – e prejudicado em sua motivação e estado de espírito (sobretudo no que se refere ao prazer que a brincadeira e a linguagem deveriam proporcionar), Joseph estava então apenas começando a prender um pouquinho da língua de sinais, começando a ter alguma comunicação com os outros. Isso manifestamente o deleitava; ele queria ficar na escola o dia inteiro, a noite inteira, o fim de semana inteiro, o tempo todo. Dava muita pena ver sua aflição ao sair da escola, pois ir para casa, para ele, significava voltar ao silêncio, retornar a um vácuo de comunicação sem esperanças, onde ele não podia conversar, comunicar-se com os pais, vizinhos, amigos; significava ser deixado de lado, tornar-se novamente um ninguém. (p. 42-3)

Está claro que o pensamento e a linguagem possuem origens (biológicas) absolutamente separadas; que examinamos, mapeamos o mundo e reagimos a ele muito antes de aprender uma língua; e que existe uma enorme esfera de pensamento – nos animais ou nos bebês – muito antes da emergência da língua. (p. 44)

[...] Massieu percebeu que um objeto, ou uma imagem, podia ser representado por um nome, surgiu nele um apetite enorme e arrebatador por um nome. Sicard nos deixou descrições fascinantes de como os dois faziam caminhadas juntos, com Massieu exigindo e anotando os nomes de tudo [...]. (p. 48. Grifo do autor)

Nascemos com nossos sentidos: eles são “naturais”. É possível desenvolvermos sozinhos, naturalmente, as habilidades motoras. Mas não podemos adquirir sozinhos uma língua: essa capacidade insere-se numa categoria única. Não se pode desenvolver uma língua sem alguma capacidade inata essencial, mas essa capacidade só é ativada por uma outra pessoa que já possui capacidade e competência linguísticas. (p. 59. Grifo do autor)

A origem do questionamento, de uma disposição de espírito ativa e investigadora, não é algo que emerge de maneira espontânea, sem procedentes ou diretamente do impacto da experiência; ela provém do trato comunicativo, é estimulada por este [...] (p. 61)

O dialogo impulsiona a linguagem, a mente; mas, depois que esta é impulsionada, desenvolvemos um novo poder, a “fala interna”, e esta é que é imprescindível para nosso desenvolvimento mais amplo, nosso pensamento. (p. 67)

Linguagem e pensamento [...] são sempre pessoais – nossas elocuções nos expressam, e nossa fala interna também. Portanto, para nós, a língua parece ser uma efusão, uma espécie de transmissão espontânea do eu. (p. 68)

A língua de sinais, naquela época, não era considerada uma língua propriamente dita, mas uma espécie de pantomima ou código gestual, ou talvez uma espécie de inglês estropiado expresso com as mãos. (p. 70)

A habilidade de discriminar rostos e reconhecer variações sutis de expressão facial também é importantíssima para o usuário da língua de sinais, pois a expressão facial tem um papel essencial na gramática [...]. (p. 87)

A língua modifica-se de forma ativa, o próprio cérebro modifica-se de forma ativa, à medida que desenvolve uma capacidade inteiramente nova de “linguistizar” o espaço (ou “espacializar” a língua). (p. 99)

A língua emerge – biologicamente – de baixo, da necessidade irreprimível que tem o indivíduo humano de pensar e se comunicar. Mas ela também é gerada, e transmitida – culturalmente – de cima, uma viva e urgente incorporação da história, das visões de mundo, das imagens e paixões de um povo. (p. 105)

Consideração do capítulo 2.

          A comunicação acontece pelo princípio do espírito comunicativo do indivíduo, no entanto só há diálogo, quando há um canal comunicativo entre receptor e emissor. Essa mensagem só é compreendida quando um dos interlocutores interpreta a mensagem que na maioria das vezes é a fala. Contudo, para o deficiente surdo o oralismo não é a forma adequada para que haja uma comunicação entre indivíduos, pois ele não possue a audição para que possa interpretar a mensagem que está sendo proferida e como a linguagem é de domínio social o surdo fica à margem preso no seu mundo de silêncio.

          Toda pessoa ao nascer tem seus primeiros contatos com a mãe e é com ela que ela aprende a se comunicar por meio dos gestos da mãe, da fisionomia e das carícias. E com esses primeiros passos para uma comunicação mãe/filho é que surge a relação de compreensão das coisas e do mundo que o cerca. Essa relação de linguagem interna e externa que a criança começa a construir seu mundo particular e a conceber sua linguagem enquanto indivíduo, e é dessa relação que o deficiente surdo necessita para começar a se inserir no mundo, é no desenvolver a linguagem, seja qual for, que o surdo passa ter a percepção do seu mundo e a dos outros.

          Por essa razão é a língua de sinais passou a ser ensinada para os deficientes, pois tinha uma relação muito particular entre nome/objeto e passou-se a construir assim um sinal/símbolo para representar a linguagem ou o que se pretendia dizer o ato comunicativo do surdo. E, como se pode perceber que a língua é mutável e, como tal, ela passa a ter suas próprias incursões linguísticas, isto é, ela possui vida e articula-se através doas seus articuladores produzindo assim a sua comunicação e o seu discurso por meio dos interlocutores.

          Em suma, a língua é biologicamente humana e socialmente articulada, pois é nessa dicotomia que tanto o ouvinte, quanto o surdo precisam para se comunicar e ter a relação entre o seu interior e exterior para se perpetuar no contexto social e histórico.

Capítulo 3

Os professores podiam, em certa medida, comunicar-se com os alunos, entrar em seu mundo e em suas mentes; [...] (p. 108)

Os estudantes estão preocupados com sua identidade, com sua sobrevivência, um tudo ou um nada [...] (p. 110)

O padrão único de transmissãoda cultura surda vincula-se igualmente à lingua dos surdos (língua de sinais) e às suas escolas. Estas atuam como focos para a comunidade surda e transmitindo a história e a cultura dos surdos de geração em geração. (p. 115)

Stokoe afirmara desde o início que os surdos deviam ser bilíngues (e biculturais), que deviam adquirir a língua da cultira dominante mas também, iqualmente, a sua própria, a língua de sinais. (p. 124)

Mas a mudança objetiva, a mudança histórica, não se dá em uma semana, embora seu primeiro pré-requisito, “a transformação da consciência” [...] (p. 134)

Consideração do capítulo 3.

          À princípio, a pedagogia era voltada para o mundo dos ouvintes e esta relação de ensino era basicamente oral, e como todo estudante eles preocupavam-se com a construção de suas identidades e a formação de suas culturas. A pedagogia de inclusão foi importante para que não só as famílias percebessem a necessidade da participação social, mas também o direito de todos como cidadãos livres e conscientes.

          No cerne da cultura e da linguagem o bilinguismo é fundamental para a construção da diversidade linguística e cultural do surdo. É por essa razão que a mudança histórica é essencial para a conscientização e transformação do cidadão surdo.

Conclusão crítica

          O autor Oliver Sacks aborda com primazia os conceitos médicos para um deficiente surdo e abre um espaço fundamental para a construção de ma prosposta de interação sociolinguística do surdo. A relação de comunicação e interação social – familiar – pessoal é uma constante, pois deficiente fica enclausurado no mundo de silêncio e privações.

          Na obra Vendo Vozes o que deixou claro e bem relevante foi a possibilidade de construção de um mundo melhor e possível para o surdo, e a cada capítulo pode-se perceber que o seu discurso traz à tona possibilidade de uma comunicação possível e real com o deficiente surdo.

          A leitura dessa obra trouxe-me esclarecimentos e novas possibilidades de trabalhar com as pessoas condeficiência, além de compreender o seu processo de histórico e social, bem como os seus temores e limitações enquanto cidadão.

          Como profissional, essa leitura contribue para que um novo olhar possa ser percebido e que como semente ela desperte novas possibilidades de contrução e melhoramente do cidadão surdo em meio social, e como tal, pela construção de projeto possa melhorar as relações indivíduo/família/sociedade/profissão. É no processo social que toda linguagem se constroi e se multiplica.

domingo, junho 03, 2012

A semântica no contexto dos cenários poéticos e musicais a partir da música A ilhas da fantasia.

Ronye Márcio Cruz de Santana
Acadêmico do curso de Letras


RESUMO:


O presente trabalho tem como finalidade despertar a percepção do leitor em relação aos cenários existentes no mundo da poesia e da música. O objetivo principal para a relação do cenário com a poética é feito a partir do conceito de sociologia e da condição cultural do poeta. O cenário é essencial para a construção semântica das relações inter e intratextuais, a garantir ao leitor um panorama real e alternativo no contexto social e no poético. Entende-se que o leitor tem uma fragilidade para compreender os princípios da relação e do contexto, bem como e relação do particular para o global.


PALAVRAS-CHAVE: Percepção do leitor; cenário poético; poesia e música; semântica.


ABSTRACT:


The present study aims to arouse the reader's perception in relation to the scenarios in the world of poetry and music. The primary goal for the relation with the poetry of the scene is done from the concept of sociology and cultural condition of the poet. The scenery is essential for building semantic inter and intratextual relations, to ensure the reader a realistic perspective and alternative social context and poetic. It is understood that the reader has a weakness to understand the principles of interface and the context and the individual and relationship to the global.


KEY WORDS: Perception of the reader; poetry scene, poetry and music; semantics.


A princípio a frase nominal que dá nome ao título da canção é feita a partir de um seriado da TV americana que os passageiros chegam à ilha com problemas a que sempre ao final todo se resolve da melhor maneira possível intuindo que na vida sempre há uma saída mesmo que você não esteja enxergando a solução para o problema, mas que tudo tem sempre uma solução. E essa ideia de conformidade, de impotência, de vulnerabilidade desaparece ao perceber que há algo que pode acontecer solucionar todos os problemas existentes na vida de cada um.


A ilha da fantasia
Raul Seixas


Vamos logo que já tá na hora de zarpar
Vem sem medo que não vamos naufragar
Navegador!
Não se esqueça, meu amigo, de chamar o seu vizinho
Navegador!
Vê se na praça tem alguém para vir
A barca de Noé já vai partir, navegador
A barca de Noé já vai partir

Navegador!
Não se esqueça, meu amigo, de chamar o seu vizinho
Navegador!
Vê se na praça tem alguém pra vir
A barca de Noé tá pra sair, navegador
A barca de Noé já vai partir

Vamos escolher bem melhores condições
Longe desse triste carnaval de ilusões
Navegador!
Deixa os que sonham em ser felizes
Habitando o paraíso
Navegador!
Já faz tempo que esperou
Vivendo sob leis que não criou
Navegador
Vivendo sob as leis que não criou


Quando se pensa em contexto poético pensa-se também na criação dos cenários poéticos, pois estes fazem com que o leitor ou o ouvinte da música crie mentalmente essas paisagens. É o que podemos perceber claramente nessa situação, observe os seguintes versos da música A ilha da fantasia de Raul.


Vamos logo que já tá na hora de zarpar
Vem sem medo que não vamos naufragar
Navegador!


A primeira palavra que faz criar a imagem do ambiente é ‘zarpar’ que é um verbo que intui a ação de navegar no mar. E esse contexto semântico de cenário é reforçado no segundo verso da música com o verbo ‘naufragar’ que além de demonstrar uma cena forte, também nos deixa a par dos sentimentos de quem está vivenciando este momento e que esse contexto ideológico de imagem é feito a partir das relações que o autor pretende fazer.

No terceiro verso o poeta se utiliza do vocativo para chamar a atenção não só de quem está no comando da embarcação, mas nas entrelinhas ela está chamando a atenção do ouvinte para a situação que está para acontecer. A expressão ‘Navegador!’ também intui a posição de todos que estão presente na embarcação e que poderá sofrer, caso não tome as devidas precauções para solucionar o problema.


Não se esqueça, meu amigo, de chamar o seu vizinho
Navegador!


Nestes versos o compositor deixa claro do papel social que cada um de tem para com o seu semelhante, mas também deixa claro que você é responsável por você mesmo. Mais uma vez ele se utiliza do vocativo ‘meu amigo’ para dar um ar de intimidade e solidariedade com os ouvintes e com todos que estão presente na embarcação. E por fim ele chama mais uma vez a atenção do Navegador para o fato que está acontecendo.


Vê se na praça tem alguém para vir


No contexto social pode-se perceber que o autor já nos trouxe outros cenários que foram um cais onde ficam as embarcações e uma cidade litorânea onde fica esse cais e mais uma vez ele retorna ao contexto social quando diz ‘Vê se na praça tem alguém para vir’, perceber-se bem que ele chama a atenção da personagem quando ela utiliza o verbo ver no imperativo indicando uma ordem e um dever de cidadão para com o próximo, para que não possa sair e deixar ninguém para trás. Essa postura de mandar deixa claro a posição de comandante ou de líder que se forma quando não se acham alguém competente para resolver o fato crítico que estar por acontecer.


A barca de Noé já vai partir, navegador
A barca de Noé já vai partir


Somente nesses versos é que o autor deixa claro a real intenção da sua crítica que é uma passagem da bíblia que é a história de Noé. Essa duplicidade de ideia e de relação acontece, quando há uma semelhança de cenário, pois o poeta pode brincar com esse jogo de palavras, em que um determinado momento ele fala de uma cena e no outro ele fala do outro.

Só agora é que se pode utilizar a análise correlacional dos cenários, pois se tem os dois cenários que o autor quer abordar e o cenário que ele que criticar, não dizendo que ele só vai criticar uma parte, mas ambas. A crítica que se percebe é que Noé construiu uma arca e deixou milhares de pessoas morrem. Essa é primeira análise que ele faz e a segunda é que ele não foi humano suficiente para impedir a morte dessas pessoas isso é a concepção do autor.

Um fato importante é a relação que ele faz com a palavra ‘navegador’ que no terceiro e quinto versos essa mesma palavra vem acompanhada de letra maiúscula, esse recurso gramatical também é intencional, pois qualquer palavra que se refere a Deus deve ser em maiúscula, por essa razão é que Navegador se refere a Deus e a mesma palavra em letra minúscula está se referindo ao comandante da embarcação, determinando a responsabilidade de cada uma das personagens da música.

Nesse verso deixa claro o temor dele em ver que a embarcação está para partir e possa ter a possibilidade de alguém ficar para trás.


Navegador!
Não se esqueça, meu amigo, de chamar o seu vizinho


De acordo com o ambiente o poeta deixa evidente a posição de cada personagem e a crítica que cada um leva, pois mais uma vez ele se utiliza da palavra em maiúscula para se referir a Deus e criticando-O que ele abandonou aquelas pessoas para morrerem afogadas e ao mesmo tempo manda e critica a postura das pessoas por serem omissas e covardes e, mais uma vez ele se utiliza do imperativo para tomar uma posição de líder naquele momento quando diz: ‘Não se esqueça,’ e para denotar companheirismo a amizade ele usa o vocativo ‘meu amigo’ para indicar proximidade e respeito.

Observe os seguintes versos:


Vamos escolher bem melhores condições
Longe desse triste carnaval de ilusões


Nesses dois versos o autor já passa para a crítica social quando diz que ‘Vamos escolher bem melhores condições’ a crítica aqui é que as pessoas tenham consciência para exigir dos governantes uma postura séria e ética para com todos que fazem parte dessa sociedade e pagam seus impostos.

A relação que fala ‘desse triste carnaval de ilusões’ é quando a população não toma para si a responsabilidade de exigir melhores condições para todos e que a ideologia do pão e circo está falida e que queremos mais do isto, pois carnaval é uma máscara para os problemas sociais que não estão sendo resolvidos.


Navegador!
Deixa os que sonham em ser felizes
Habitando o paraíso


Mais uma vez ele chama a atenção para Deus fazendo uma solicitação e ao mesmo tempo uma ordem, pois o verbo se encontra no imperativo, quando diz ‘Deixa os que sonham em ser felizes’, pois em sua concepção toda pessoa merece um paraíso, pois todos são Seus filhos, e como tal merece o bom e o bem.


Navegador!
Já faz tempo que esperou
Vivendo sob leis que não criou


Aqui a crítica é para a igreja que criou leis para dominar e manipular a população e usando o nome de Deus para justificar a vontades deles. Pode-se perceber quando diz ‘Vivendo sob leis que não criou’, pois ele deixa claro que estas leis foram o homem que fez e não Deus, por essa razão é que é um absurdo para ele compreender determinados fatos que a igreja comete em nome de Deus se ele é amor.


CONCLUSÃO

 
Como podemos perceber o contexto do cenário é fundamenta para a criação do poema e da música e esse contexto social é importante para dar aos leitores uma dimensão do entendimento da poética, da semântica e das relações que a sociedade está passando e que todo isto contribui para o desenvolvimento para personalidade dos cidadãos.