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Ronye Márcio

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terça-feira, junho 28, 2011

O currículo e a identidade escolar no processo de manipulação de uma sociedade nas bases da gestão compartilhada.

Ronye Márcio Cruz de Santana
ronyemarcio@hotmail.com.


RESUMO


Toda mudança só pode ocorrer quando há uma relação de cooperação mútua. A escola é responsável pelo pleno desenvolvimento pessoal e intelectual dos cidadãos da sociedade, pois a função do currículo é integrar assuntos que sejam de uma relevante importância para a comunidade local. A finalidade dela é desenvolver a capacidade plena dos indivíduos para que sejam críticos e auto-suficiente para garantirem suas necessidades em qualquer lugar no mundo.


PALAVRAS-CHAVE: Sociedade; Identidade Escolar; Gestão Participativa; Currículo.


ABSTRACT


Any change can only happen when there is a relationship of mutual cooperation. The school is responsible for full personal and intellectual development of citizens of the society, because the function is to integrate the curriculum subjects that are of significant importance to the local community. The purpose of it is to develop the full potential of individuals to be self-critical enough to ensure their needs anywhere in the world.


KEYWORDS: Society, School ID, Participatory Management, Curriculum.


1 INTRODUÇÃO


A identidade escolar permeia pelo princípio do currículo, no qual é gerenciada pela gestão escolar, em que há uma possibilidade para a transformação da sociedade no seu campo socioeconômico, refletindo, porém no campo sociopolítico, no entanto, a escola manipula a sociedade por meio do currículo, sobretudo os chamados currículos ‘ocultos’ que é a forma de mascarar como uma educação democrática e participativa, e atendendo os interesses da classe dominante, contudo essa mesma classe seleciona jovens para transmitirem os saberes para que possam continuar no poder e manter a sociedade submissa e controlada.

Essa divisão social, os governantes e os subordinados, compõem as estruturas do nosso país, por essa razão é que a escola deveria ter a função de transformar a sociedade, ao invés de mantê-la cativa de interesses próprios.

Ao se pensar em mudança devemos observar as perspectivas da gestão escolar e as implicações quanto à formação de seus gestores, em que se devem analisar os novos desafios de uma sociedade democrática por legislação, isto é, em si ela é participativa, política e cooperativa, no entanto ela é transformada pelas mídias sociais que deturpa o modo como as pessoas pensam e agem na sociedade, com isso podemos perceber que a escola é a brecha para a construção de um cidadão livre e crítico. Por essa vertente Heloísa Lück (2000) nos esclarece que:


[...] a mudança de concepção de escola e implicações quanto à gestão, as limitações do modelo estático de escola e de sua direção; a transição de um modelo estático para um paradigma dinâmico; a descentralização, a democratização da gestão escolar e a construção da autonomia da escola, e a formação de gestores escolares. (p. 11)


Como a própria Lück salienta é que a complexidade das partes está voltada para o interesse de uma única classe, e que os processos de construção de conhecimento se faz pela descentralização do poder da escola tornando-a autônoma, com isso conduzirá a sociedade a múltiplas mudanças no seu contexto social, econômico, político e cultural, por essa razão, que é fundamental compreender o processo de construção da realidade pelo modelo paradigmático e dinâmico.


É no contexto desse entendimento, que emerge o conceito de gestão escolar, que ultrapassa o de administração escolar, por abranger uma série de concepções não abarcadas por este outro, podendo-se citar a democratização do processo de construção social da escola e realização de seu trabalho, mediante a organização de seu projeto político-pedagógico, o compartilhamento do seu poder realizado pela tomada de decisões de forma coletiva, a compreensão da questão dinâmica e conflitiva e contraditória das relações interpessoais da organização, o entendimento dessa organização como uma entidade viva e dinâmica, demandando uma atuação especial de liderança e articulação, a compreensão de que a mudança de processos educacionais envolve mudanças nas relações sociais praticadas na escola e nos sistemas de ensino. (LÜCK, 2000, p. 16)


Com isso, pode-se garantir uma identidade voltada para uma gestão democrática e autônoma, fazendo com que a escola como instituição possa transformar a sociedade, fugindo do currículo voltado para as classes dominantes, para isso, basta que as questões teóricas e metodológicas de formação estejam em consonância com os interesses da sociedade local e a concepção no sistema de ensino estabeleça a formação política e social para os gestores articularem as práticas no processo de autonomia social e desenvolva uma consciência sociopolítica de cada cidadão.


2 O ensino e a aprendizagem da escola frente a uma sociedade globalizada.


A educação contemporânea, por mais que engatinhe está fadada ao ensino pobre e sem valor crítico para a construção de um cidadão consciente, visto que a sua didática curricular é moldada nos preceitos de uma elite que exige uma sociedade submissa e servil.

Os fundamentos curriculares são ditados pelo desejo de moldar a sociedade para o ingresso ao mercado de trabalho, desculpa esta que prioriza a falta de mão-de-obra qualificada e de cidadãos críticos, já que a escola funciona como aparelho ideológico do Estado, como mecanismo de manipulação pelos princípios laicos, construindo uma sociedade cética e manipulável, a utilizar apenas fundamentos teórico-pedagógicos para o domínio econômico e político.

A sociedade, por outro lado, deixa-se manipular pelos meios de comunicação, a gerar assim, pessoas alienadas e volúveis ao domínio do capitalismo. É no processo de transmissão de conhecimento e na sua apropriação que uma instituição, tanto escolar, quanto social pode formar uma organização mais eficaz, a atingir uma consciência crítica e política de que se precisa para desenvolver o mundo e não aliená-la ou dominá-la.

Ao embasar o livre conhecimento da sociedade e a eficiência do ensino no processo de aprendizagem para que os cidadãos sejam atuantes e tenham consciência ética, política e democrática consegue-se desenvolver em qualquer criança os preceitos de cidadania e democracia, porém tal mudança exige do ensino público uma estratégia que possa superar as barreiras dos domínios político-pessoais, dos técnico-empresariais e das ideologias das elites escravistas.

É primordial que a escola e a sociedade sejam co-irmãs, que ambas se coordenem, tenham uma união para que funcionem e consigam chegar a uma ideologia própria, e que essa cooperação desenvolva não só a sociedade, mas também o conhecimento técnico-científico embasada nos preceitos da sociedade em que está inserido.

Por essa razão é que no projeto Gestão Interna e externa: uma releitura das interações nas complexidades entre as partes, observa-se que:


É necessário que se tenha como princípio a participação e cooperação nos aspectos sociais e políticos em que compreenda a cidadania envolvendo assim o exercício de direito e dever políticos, bem como os civis e sociais abordando uma gestão cooparticipativa em que haja atitude de cooperação e, especialmente o repúdio às injustiças partindo do respeito próprio e ao outro, sendo assim o amor, a ética e o amor pela educação é essencial para que haja colaboração, cooperação, responsabilidade e compromisso de todos (...). (SANTOS, at all. 2011, p. 10)


Na perspectiva da gestão co-participativa trará mais ganhos para a sociedade e para a sociedade escolar, visto que essa irmandade trará uma colaboração e uma consciência de que o sistema de ensino é vital para superar as dificuldades e as mazelas que a sociedade enfrenta, por essa razão é que a igualdade de oportunidade tornar-se-á mais presente e real para os cidadãos que dela dependem para galgar uma vida mais digna e justa.

A gestão do conhecimento para a correciprocidade de desenvolvimento intelectual é reforçado quando Boneti diz:


Ao me referir ao conhecimento sociamente produzido, refiro-me ao conhecimento básico utilizado pelos sujeitos sociais na sua plena inserção no contexto social, quer seja na dinâmica da produção, na busca da garantia dos direitos sociais básicos, nas relações sociais outros ou na própria reprodução e/ou produção do conhecimento nas instituições de ensino. (2006, p. 226)


É na dinâmica da produção de conhecimento que toda uma sociedade se desenvolve, visto que com a compreensão da educação como instância política, podemos perceber que as diversas formas de gestão deveriam priorizar a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Ao analisar esse preceito Boneti diz que “a uma nova configuração de sociedade, a começar pela organização produtiva, desencadeando uma acelerada mutação tecnológica, fazendo com que o conhecimento tecnológico tenha uma durabilidade limitada, (...)” (2006, p. 213).

Nesse patamar de melhoria tanto social quanto educacional, como disse Boneti, está na dinâmica da sua própria elaboração, esta reporta a uma proposta de ensino voltado para a contemplação do conhecimento e a aprendizagem voltada para os múltiplos significados e interpretações.

A educação quando está presente no cotidiano da sociedade, ela demonstra a sua cultura frente ao mundo das mídias sociais que repercute diretamente na globalização e na produção técnica-científica, fator este que implica na manipulação da elite pelo processo de ensino e aprendizagem.

Ao se pensar nas estratégias de melhoria de ensino e a forte relação que o conhecimento tem com a sociedade Heloísa Lück diz que:


Essa mudança de paradigma é marcada por uma forte tendência à adoção de concepção e práticas interativas, participativas e democráticas, caracterizadas por movimentos dinâmicos e globais, com os quais, para determinar as características de produtos e serviços, interagem dirigentes, funcionários e “clientes” ou “usuários”, estabelecendo alianças, redes e parcerias, na busca de soluções de problemas e alargamento de horizontes. (2000, p.11)


Nessa assertiva podemos perceber que o ensino e a aprendizagem podem ser eficazes, quando há uma cooperação mútua entre escola e sociedade, desde que a escola priorize o ensino de conhecimento técnico-científico, a garantir o livre desempenho das faculdades mentais dos alunos de forma ética, cidadã e democrática. E que a sociedade seja mais ativa e participe das decisões sociais formando conselhos, ONGs, cooperativas etc., para discutir problemas sociais e educacionais firmando assim um pacto de corresponsabilidade sócio-educacional, a desenvolver uma criticidade e ser mais eficiente no processo técnico-científico, tanto na educação quanto social.


3 A gestão e a participação para proporcionar o ensino-aprendizagem nas práticas políticas e sociais.


O papel do gestor é garantir meios que possibilite a superação entre a teoria e prática e que aproxime a realidade às atividades teóricas e práticas para asseverar o ensino-aprendizagem como atividade de transformação da realidade para isso a gestão deve primar pela participação e proporcionar o conhecimento perante as práticas políticas e sociais. O maior problema que a educação enfrenta é o fato de que os políticos não abrem a mão do poder, nem da autoridade e o que é pior ainda mantêm a política do coronelismo mandando e desmandando como bem entendem.

Se, por outro lado, pode-se pensar que o gestor é, acima de tudo, o elo que faz a engrenagem da máquina funcionar, por isso é que tem a obrigação de asseverar ao aluno uma autonomia tanto na vida escolar, quanto na política sócio-profissional.

Para esse intento a gestão e a participação devem proporcionar e desenvolver a autonomia intelectual a possibilitar as práticas de cooperação socioeducacional, de promover as discussões e análise da realidade em que se insere e de intermediar instrumentos de leitura e desenvolvê-las com as chamadas novas tecnologias permeando as atividades sociais, pessoais e políticas para expandir plenamente o processo de ensino-aprendizagem.

A dimensão de uma prática metodológica volvida a uma prática social afirmará a construção do conhecimento pelo processo de articulação cooperativista a vincular assim o conhecimento de sala de aula à práxis e as formas de trabalho, em que permeia a organização do ensino-aprendizagem e da relação pedagógica que se quer efetivar no aluno.

Por essa razão, quem constrói o sujeito? Quais são as suas relações entre ensino e conhecimento? São estas questões que nos alerta para uma relação direta na construção psicossocial do aluno e a sua relação com o meio.

Para asseverar o raciocínio e as novas tecnologias à didática deve-se compreender que a aprendizagem tem que utilizar o processo de provocação, isto é, proporcionar ao aluno situações que faça refletir sobre a questão indagadora. Outro ponto fundamental é colocá-lo frente ao objeto de estudo, ou elemento, ou a situação que o permita elaborar respostas a estas situações é consequentemente a interação que o aluno tem que compreender para saber refletir e produzir suas hipóteses para gerar possíveis soluções. Esse é o ponto chave que a gestão escolar tem que assegurar ao aluno mantendo uma dinâmica da união com o conteúdo X análise da realidade e as novas tecnologias X a solução dos problemas.

Daí a capacidade analítica de avaliar o cidadão como um ser autônomo e consciente dos seus atos e das decisões que devem ser tomadas. Para a efetivação da metodologia de uma gestão cooparticipativa devem perceber-se as relações que a problematização traz e este é o fator preponderante para que o aluno possa estabelecer a contradição entre o problema e a hipótese. A interação com o objeto-problema faz com que o discente elabore, planeje e esquematize soluções para tal situação proposta contrapondo o teórico à prática a dialogar com o tirocínio de cooperação a propiciar a reflexão pelo processo das novas tecnologias do conhecimento.

A educação como objeto da produção do conhecimento deve abranger a autonomia e a livre consciência na participação não só político, mas também pedagógico e, por essa razão que a gestão segundo Heloísa Lück (2000) diz que o entendimento pode gerar considerações em relação ao todo e com as suas partes e transformá-las entre si, de modo que a maior transformação se é alcançado quando se trabalha em conjunto.

O instrumento que viabilize a prática da gestão é a forma como o gestor conduz a sua prática, segundo Freire (1999) o professor, o gestor, a escola e a sociedade estão lidando com o indivíduo concreto, e como tal ele é uma síntese de inúmeras relações sociais. Os problemas que o aflige não só os de casa, mas também o de qualquer setor social faz com que ele tenha uma postura e reflita sobre ela e produz assim novas tecnologias do conhecimento.


4 CONCLUSÃO


Quando se cria a consciência de si mesmo passa a manifestar e aceitar a convenção de que precisa do outro e essa forma garante, segundo Lück (2000), o surgimento da consciência que a realidade pode propiciar para a autonomia só por compreender que essa exigência é condição preponderante para a relação do trabalho pedagógico frente ao ensino e a aprendizagem em que se volta para a relevância da união com o conhecimento social, a construir assim um cidadão pleno.

Em si tratar das práticas políticas e sociais volta-se também a uma prática educativa eficiente e eficaz na produção do conhecimento, em que se pode perceber que é essencial para a construção do ser humano que tem experiência, responsabilidade e autonomia de pensar fazendo com que reflita e produza as suas próprias conclusões, a melhorar assim o conhecimento efetivado no ensino a na aprendizagem assegurando-o a consciência de uma gestão participativa e social como um ser autônomo.

O saber como prática educacional e social se constrói a partir da busca de reorganização do mundo, estritamente relacionado com os variados mecanismos de poder que perpassam as relações dos seres humanos entre si. Por isso, o saber gera poder e, por sua vez, cria mecanismos no interior do próprio conhecimento para não só constituir mais legitimá-lo.

Com isso, segundo Freire (1999) a prática educativa pode ser um testemunho da capacidade de comparar, valorizar, intervir, escolher, decidir e romper todos os preceitos de conhecimento concebendo o seu a partir do outro criando e recriando com todas as suas possibilidades de construção e criação do conhecimento real, social e político.

Ao pensar nesse pressuposto pode-se intuir que as relações de participação e a criação de novas tecnologias do conhecimento são múltiplas, no entanto, as particularidades da vida social interferem na construção do saber e vice-versa, pois o papel da gestão é primordialmente gerar cooperação e confrontar as ideias para gerar um ser autônomo e consciente, portanto, ela é preponderantemente o estimulo e a viabilidade de abrir as portas de novos conhecimentos e de novas diretrizes sociais para a construção de um novo ser social pleno.


REFERÊNCIA

BONETI, Lindomar Wessler. As políticas Educacionais, a gestão da escola e a exclusão social. In FERREIRA, Maria Syria Carapeto; AGUIAR, Maria Angela da S. (Orgs). Gestão da Educação: impasses, perspectivas e compromissos. 9 ed. São Paulo: Cortez, 2006.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 23. Ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1999.

LÜCK, Heloísa. Perspectivas da Gestão Escolar e Implicações quanto a Formação de seus Gestores. In: Enfoque. Qual é a questão? Em Aberto, Brasília, v. 17, n 72, p. 11-33 fevereiro-junho 2000.

SANTOS, Cristina Nunes dos. at all. Gestão Interna e externa: uma releitura das interações nas complexidades entre as partes. (Projeto). Paripiranga-BA, fevereiro-junho, 2011.

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